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26 Feb 2013

Parabéns, TSF!


A TSF faz 25 anos e teve uma ideia brilhante para o comemorar: convidar artistas portugueses actuais a fazerem versões de músicas de 1988.

Até agora, está a correr bem.

'Lisboa que amanhece', de Sérgio Godinho por Salto



'The Way You Make Me Feel', de Michael Jackson por You Cant' Win, Charlie Brown



'I Got My Mind Set On You', de George Harrison por Minta & The Brook Trout



'Where is My Mind', de The Pixies por Anarchicks (disponível para download gratuito)



 
'Don't Worry Be Happy', de Bobby McFerrin por Noiserv



Mais, queremos mais! Parabéns, TSF.
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TSF is a Portuguese radio, having their 25º birthday this year . To celebrate the date, the radio has invited some young Portuguese artists to cover songs from 1988.

Here are the first ones.
'Lisboa que amanhece', by Sérgio Godinho, covered by Salto
'The Way You Make Me Feel', by Michael Jackson, covered by You Cant' Win, Charlie Brown
'I Got My Mind Set On You', by George Harrison, covered by Minta & The Brook Trout
'Where is My Mind', by The Pixies, covered by Anarchicks 
'Don't Worry Be Happy', by Bobby McFerrin, covered by Noiserv

24 Nov 2012

Talkfest ’13: falar de música com música



Texto originalmente publicado em Look Mag
Por que é que há cada vez mais pessoas nos festivais de música? De onde vem o interesse das marcas nestes eventos? Os festivais portugueses vão crescer ou entrar em declínio? Estas perguntas vão estar em destaque no Talkfest ‘13, ciclo de conferências e concertos para falar e ouvir boa música.
Depois do sucesso da primeira edição, o Talkfest regressa em 2013 e acontece 6 e 8 de Março no ISEG. Os oradores anunciados convencem a garantir já a entrada para o evento e incluem nomes como António Freitas (Antena 3 Rocks), Joaquim Albergaria (PAUS), Hunter Halder (Re-food), Rui Miguel Abreu (Antena 3/Blitz) e Zé Pedro (Xutos e Pontapés).
Num evento sobre música, não podiam faltar concertos e o cartaz juntou algumas das bandas nacionais de quem mais se fala ultimamente. E há razões de sobra para falar delas, mais ainda para as ver ao vivo na Aula Magna (por 10 euros).

Capitão Fausto (6 Março)
Tiveram uma ascensão meteórica e percebe-se porquê. Trouxeram uma lufada de ar fresco à música portuguesa com a sua pop progressiva e instalaram-se entre os nomes mais interessantes das bandas actuais. Gazela é o primeiro disco editado pelo grupo, do qual fazem parte Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Manuel Palha, Francisco Ferreira e Salvador Seabra. Materializam influências de Arctic Monkeys, Beatles, Tame Impala, Jimi Hendrix e Pink Floyd.
Depois de um Verão preenchido com actuações em palcos importantes, desde o Super Bock Super Rock ao Paredes de Coura, sem esquecer o Bons Sons, continuam cheios de vontade de trabalhar. No último mês lançaram dois novos telediscos (‘Verdade’ e ‘Sobremesa’) e continuam a preparar o próximo álbum.


Salto (6 Março)
Do Porto têm chegado bandas de talento enorme e ímpar. Os Salto são um desses fenómenos recentes e trazem melodias frenéticas com refrões que ficam logo no ouvido. É música jovem com cor e muita qualidade. Guilherme Tomé Ribeiro e Luís Montenegro fazem misturas fora de série e música muito boa. Os primos formam a dupla que está a conquistar um lugar (merecido) no panorama nacional, daqueles que duram uma vida. Fazem-se acompanhar de Tito Romão na bateria.
O álbum homónimo está praticamente todo a rodar pelas rádios nacionais. Nas redes sociais, o campeão de partilhas mais recente é a remistura que os Salto fizeram do single ‘Verdade’, dos Capitão Fausto.


doismileoito (7 Março)
Também do Norte, os doismileoito não nasceram em 2008. Pedro Pode, Nicolau, André Aires e Bruno Testo fazem parte desta banda, cujo primeiro trabalho se conhece em 2009 com disco homónimo. Dele sobreviveram até hoje singles bem conhecidos como ‘Bem Melhor’.
Com a calma de quem constrói sabiamente um legado, lançaram, em 2011, Pés Frios. O segundo disco trouxe singles que vão sobreviver longos anos (‘Quinta-feira’, ‘Pés Frios’, ‘Conta Contigo’). Dizem de si próprios que fazem canções para cantar, “letras para entoar e melodias para assobiar ou trautear” Não há dúvida de que há aqui poesia e música boa.


Os Pontos Negros (7 Março)
Foram dos primeiros a repescar o roquenrole à portuguesa e a fazer dele moda recente. O karma trouxe-lhes uma recompensa de peso este ano, quando tiveram oportunidade de gravar nos estúdios de Abbey Road o seu mais recente trabalho. Chama-se Soba Lobi e foi editado pela Optimus Discos, onde está disponível para download gratuito. São mais dez histórias – gravadas nuns impressionantes três dias - contadas ao verdadeiro estilo d’Os Pontos Negros: em articulação plena de guitarras e palavras.
Jónatas Pires, Silas Ferreira, Filipe Sousa e David Pires andam a promover este que é já o seu quarto disco de originais. A 13 de Outubro, montaram festa rija no Ritz Clube para a apresentação oficial de Soba Lobi.


PAUS (8 Março)
Foi depois da actuação brilhante no Optimus Alive ’12 que o nome PAUS começou a ser mais comentado, cá e lá fora. Nada mais merecido para a banda de Joaquim Albergaria, Hélio Morais, Makoto Yagyu e João Pereira. As baterias dominadas por Joaquim Albergaria e Hélio Morais lançam as bases ritmadas e poderosas do som verdadeiramente único dos PAUS; não há um vocalista definido e as poucas vozes que se ouvem nas músicas são abafadas pelos instrumentais. (Não foi à toa que a NME destacou a banda com uma entrevista depois do concerto do Alive.)
Verdade é que, mesmo com um repertório pequeno, os PAUS já tocaram em todos os grandes festivais em Portugal e têm tido concertos muito concorridos. Foi assim que encontram também um CCB, a 26 de Outubro, onde o álbum de estreia, homónimo, se apoderou do alinhamento.


O Urban Blues sugere:
Para celebrar os escassos raios de sol: 'A While Can Be a Long Time', You Can't Win, Charlie Brown
Para ler um livro à frente da lareira: ‘Airports & Broken Hearts’, Walter Benjamin
Para ouvir a caminho das manifestações: ‘Que Força É Essa’, B Fachada (Minta/João Correia)
Para aprender até ao Vodafone Mexefest: ‘Buffalo’, Alt J feat. Mountain Man

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Our collaboration with Look Mag in November speaks about an upcoming event about music festivals that happen in Portugal. Not only there are more and more festivals but also they are being recognised out there for their great line-ups and ambience.


Talkfest '13
will take place between March 6th and 8th. Lots of guests will talk about their experiences in the music industry.

Such a music event couldn't happen without some of the most exciting bands right now. Paus, Capitão Fausto, Os Pontos Negros, Salto and doismileoito will be performing at Aula Magna, for 10 euros a night. Check the videos above to get to know the Portuguese bands.

15 Sept 2012

Salto, o duo de três que veio para ficar


Apareceram de repente e agora ninguém os vai deixar cair. As músicas do álbum de estreia já se ouvem nas rádios e foram apresentadas em muitos palcos durante o Verão. Salto, disco homónimo da banda de Luís Montenegro, Guilherme Tomé Ribeiro e Tito Romão, é uma viagem por diferentes paisagens sonoras. Vale tudo e são eles que o dizem: "vale dançar, saltar, moshpit e crowdsurf".

Quem são os Salto? Como surgiu o projecto?
Os Salto são um duo de três pessoas que se chamam Salto desde 2 de Novembro de 2007. Em 2007, éramos só dois, Luís Montenegro e Guilherme Tomé Ribeiro e a partir de 2012 passámos a ser três, com a chegada do Tito Romão.
O projecto surgiu de uma forma muito natural e simples. Nós os dois somos primos e desde dos 13 ou 14 anos que gostávamos de pegar em duas guitarras e experimentar tocar música. Com o passar dos anos fomos aprendendo música no Conservatório de Música do Porto e depois tirámos a licenciatura em Produção e Tecnologias da Música na ESMAE. Com esta licenciatura a electrónica, os computadores e os sintetizadores, ganham espaço na nossa música e fazem-nos chegar a este primeiro álbum.

São referidos como uma banda promissora e inovadora. Como definem o vosso som?
Que bom é ouvir tais palavras. Porém, é-nos complicado definir o nosso som concretizando-o num espaço bem delimitado. Passa por muitas influências e por muitos objectivos e ainda tem muito para evoluir. Achamos que é justo admitir uma linha transversal ao nosso trabalho que é a intensidade e o entusiasmo com que nos lançamos a cada música, um som intenso e entusiasta.

Fala-se muito dessas influências e de como são fáceis de identificar no álbum Salto. Quem são elas?
Ui, essa é complicada. O álbum foi feito durante um ano e tal, por isso as nossas influências passaram muito pelo que ouvimos ao longo nessa altura. Poderiam escrever-se algumas páginas de bandas e produtores que nos influenciaram. Há muitos nomes que nos acompanharam durante esse ano.

Gravar um álbum a par da licenciatura em Produção e Tecnologias da Música parece ter resultado numa mistura experimentalista e diferente. Como foi o processo criativo?
Foi feito de trabalho, de ouvir muita música e de fazer muitas experiências e gravações. Não tínhamos pressa mas queríamos muito mostrar aquilo que andava nas nossas cabeças. Por isso, trabalhámos praticamente todos os dias do ano a pensar naquele que seria o nosso primeiro álbum.

Pode esperar-se o mesmo de um segundo disco – a frescura das experiências e influências claras?
Claro que sim! É por aí que queremos ir! Pode ter mais ou menos experiências, ainda não sabemos bem, mas é certo que pode dar muitas voltas em relação ao primeiro. No fim, o que conta mais é ver a reacção do público.

Como foi essa reacção na abertura do palco principal do Super Bock Super Rock? Como encararam esse desafio, dado que o vosso álbum de estreia tinha acabado de sair?
Foi realmente uma grande responsabilidade e um grande orgulho ter a oportunidade de poder abrir o palco principal de um festival tão importante em Portugal. Foi uma sensação muito boa! Estávamos mesmo muito contentes por estar ali a tocar, por estar um óptimo fim de tarde e por haver já um bom número de pessoas que nos queriam ver e muitos que até já sabiam algumas músicas!

E estiveram também no Paredes de Coura. Este é o ano dos Salto?
Este é o ano em que mostramos o nosso primeiro álbum. É interessante que, actualmente, em Portugal todos os anos há muita música nova e com muita qualidade a ser feita. É mesmo muito bom podermos mostrar a nossa música e haver gente interessada em ouvi-la. Quanto aos concertos, tem sido uma experiência nova porque agora tocamos com baterista, o Tito, e isso tem sido um grande desafio pois queremos ter um concerto que seja realmente uma festa.

O público está a aderir ao álbum, Salto?
Está sim. Muita gente tem vindo falar connosco acerca do álbum a dar os parabéns, a dizer “finalmente” e alguns até dizem que se sentem bem quando o ouvem, o que nos deixa mesmo muito felizes!

Porquê a escolha do New Max para produzir o álbum?
Por tudo o que já fez na música portuguesa. Por ter produzido os discos de Expensive Soul. É claramente alguém muito importante no panorama musical português e que nos ajudou muito.

Como descrevem, em algumas palavras, os temas que fazem parte do Salto?
Uma viagem por diferentes paisagens sonoras e cores. Queremos muito que façam essa viagem!

Diz-se que são a revelação da música nacional para o Verão. Onde é que estas músicas devem ser ouvidas?

É muito interessante ser apelidado como um álbum de Verão embora não tenha sido feito a pensar exactamente nisso, mas sim numa vontade de fazer as pessoas cantarem e mexerem-se (vale dançar, saltar, moshpit, crowdsurf). Pode e deve ser ouvido em qualquer lugar. Se for um momento partilhado com alguém, há quem diga e jure a pés juntos que é espectacular!

Os Salto andam atrás de…
…quem não quer ver.

8 Aug 2012

Salto. De gigante

 
Do Super Bock Super Rock para o palco da Fnac Chiado há uma distância considerável. Não para os Salto que conseguiram, com a sua música de compassos frenéticos e refrões catchy, encher tanto um quanto o outro. (É difícil não desejar que a ordem destas actuações se tivesse invertido para dar mais rodagem à banda.)

A promover o disco de estreia, homónimo, os Salto deram no dia 30 de Julho talvez o único showcase da história da Fnac com direito a encore.

No palco, uma parafernália de instrumentos aguardava a banda - a Luís Montenegro e Guilherme Tomé Ribeiro juntou-se Tito Romão, que acrescenta a sua bateria às guitarras, baixos, teclados e sintetizadores espalhados entre microfones, cabos e pedais.

Num concerto de uma hora, os Salto passaram pelas músicas mais mexidas, que o público acompanhou sem timidez, até que 'Deixar Cair' fez a delícia de toda a gente. Gente muito nova - também os Salto o são - a explicar porque temas como 'Por Ti Demais' se tornaram banda sonora deste Verão.

Com sotaque do Norte, os rapazes interagem com o público e trocam piadas entre si. Pousam as guitarras para 'Sem 100', uma mistura de botões e voz em português que vicía e transpõe as fronteiras da música nacional.

O público pede mais uma e os Salto querem aceder. Abre-se espaço para pedidos e, no meio de gritos entusiasmados de quem se sente parte da actuação, alguém reclama "tudo de novo". 'Poema de Ninguém' é muito "calminha" e 'Deixar Cair' ainda há pouco foi tocada. A banda parece não querer deixar o palco e acaba por oferecer 'O Teu Par' e 'Coração Bate Fora'.

Apontados como uma das revelações recentes da música portuguesa, os portuenses Salto fazem lembrar Arctic Monkeys, Arcade Fire e Pet Shop Boys. Têm disco muito recente, que já recolheu o aval da crítica. Andam a percorrer os festivais desta temporada com um destaque ousado e bem merecido. A 13 de Agosto tocam no Palco Vodafone FM do EDP Paredes de Coura.

Ficam algumas fotografias da apresentação na Fnac Chiado.


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They played at Super Bock Super Rock in July. Now they've been presenting their first album in Fnac stores all over the country. Salto are one of the biggest promises of the Portuguese musical scene and a breath of fresh air.

With catchy lyrics and a frenetic pace, their songs have installed themselves as the soundtrack for this Summer. An entire audience proved it by singing along with Salto at Fnac Chiado, on July 30th.

The small stage of the store was even smaller to host the variety of instruments that the band carry around everywhere - guitars, bass, drums, several keyboards and synths. Luís Montenegro, Guilherme Tomé Ribeiro and Tito Romão play all these instruments during the show and still manage to amuse the audience with their nice words.

Songs such as 'Deixar Cair', 'Por Ti Demais' and 'Sem 100' are among the most popular ones and reflect influences of Arctic Monkeys, Arcade Fire and the Pet Shop Boys.

At the end of the showcase, people were screaming for more. Salto came back to the stage to perform what the crowd requested. Being impossible to play everything again, as one member of the audience suggested, they went with 'O Teu Par' and 'Coração Bate Fora'.

On August 13th, Salto add one more name to the list of Summer festivals they have played at this year (EDP Paredes de Coura). The tour has been focusing on their recently launched first album, available here.

10 Jul 2012

18º SBSR Dia 1: o Alabama no Meco

Fotografia de Sílvia Lopes

O cartaz prometia, o recinto também. No final do primeiro dia do 18º Super Bock Super Rock os melhores concertos não foram dos cabeças de cartaz e o recinto, coberto de relva, ficou longe de encher. Grandes expectativas tiveram um pontapé de saída morno, com Alabama Shakes a dar o concerto da noite.

Fica um arranque fraco em termos de público (18 mil pessoas, contou a organização), o que acabaria por dar o tom ao festival. Ficam alguns concertos que desiludiram, outros que surpreenderam, e as difíceis escolhas de optar por bandas sobrepostas no horário. Fica, sobretudo, uma reunião de espírito menos indie do que no ano passado, cheia de gente jovem com ar de Sudoeste para os lados do Meco. Hot Chip actuaram demasiado tarde para primeiro dia e, em especial, para uma quinta-feira, impossibilitando o público de ver tudo o que o bilhete comprou. Por aqui, fica o destaque de alguns concertos.

Salto (de gigante)
É preciso começar por dizer que os Salto saíram do anonimato há muito pouco tempo. Tiveram também pouco tempo para preparar o concerto no SBSR, uma vez que substituíram Pete Doherty à última hora. Posto isto, este duo do Porto esteve à altura do palco principal, dando um concerto muito próprio com o curto repertório que têm. O público, também ele reduzido, não aderiu como fará, certamente, daqui a alguns meses, altura em que conhecerão a sério o álbum que os Salto lançaram a 2 de Julho.

The Happy Mess, uma surpresa feliz
Banda portuguesa com ar de veterana, os The Happy Mess agradaram. Primeiro, pela surpresa de terem como frontman o jornalista da SIC Notícias, Miguel Ribeiro, que se apresentou numa faceta até agora desconhecida. Segundo, pela sonoridade rock com toque de old school que cativou os espectadores.

Os instrumentais dos Capitão Fausto
Têm os meses de trabalho e experiência que faltaram aos Salto. Num espectáculo cheio de música - os Capitão Fausto não actuam de outra maneira - conseguiram fazer o arranque que o SBSR merecia e pôr o pessoal a dançar com os singles mais rodados. Mas só na primeira parte, porque o pouco público que ali parava migrou para a outra ponta do recinto ao fim de meia hora, para ver Alabama Shakes. Numa segunda parte, houve muita música instrumental que fica melhor num concerto em nome próprio do que num festival.

From Alabama with love
Os Alabama Shakes fizeram do Palco EDP o centro do primeiro dia do festival. A banda de Alabama reuniu um dos maiores públicos daquele palco, em nada secundário. Brittany Howard é a vocalista que dá soul e presença às músicas do grupo, a atirar para o rock. Apresentaram o primeiro álbum, Boys & Girls, fizeram uma grande estreia em Portugal, converteram os que não os conheciam e agradaram aos que foram ao Meco com intenção de os ver. Foram um dos maiores sucessos do SBSR deste ano e cheira-me que hão-de voltar em breve.

Bloc Party sem festa
Pena de não ter visto os Bloc Party nos tempos de 'Banquet'. O público sentiu o mesmo, a julgar pela reacção aos primeiros acordes deste hit da banda de Kele Okereke. Foi a partir daqui que o concerto dos britânicos começou a aquecer, apesar de não ter chegado a ser memorável. O som continua a ser bom - uma das músicas novas que apresentaram soa aos primeiros anos da banda - mas a energia não foi a mesma.

Incubus, os veteranos
Apesar das críticas, pareceu-me um dos melhores concertos da noite. Não pela set list ou pelo espectáculo em si, mas pela adesão das primeiras filas, onde os fãs da banda que foram ao Meco de propósito para a ver vibraram do início ao fim. Muito por incentivo do vocalista Brandon Boyd,  um foco de energia (e estilo). Sim, havia ali muito de Red Hot Chili Peppers; sim, foi um mix complicado das músicas da banda. Mas nem por isso foi mau. (Imagino apenas o que a banda terá comentado ao ver-se a actuar para um recinto meio cheio.)

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The line-up was promising a great festival and so were the weather and the venue of the 18th Super Bock Super Rock, which took place from 5th to 7th July, at Meco, Lisbon. Despite the high expectations, the shows failed to be memorable and the venue was far from sold out. On the first day of the fest, Alabama Shakes (who weren't even playing at the main stage) were kings.

According to numbers released by the organisation there were 18 thousand people at Meco, on July 5th, a turnout that would be pretty similar on the following days. Some shows were disappointing, other were surprisingly good and yet others were happening at the same time in different points making it impossible for the crowd to fully experience everything their money bought. Fundamentally, the first day was marked by a young spirit, quite young actually, and a less indie vibe than it was expected. Hot Chip played far too late for a kick off day, especially being Thursday. Here's something about some of the shows.

Salto
In Portuguese, Salto means to jump or a jump. Well, that was precisely was these guys from Porto did at SBSR. They are quite a young band, with little experience, and have a short repertoire. That being said, they did really good considering they were called out last minute after Pete Doherty cancel his performance to go into rehab. Not many people were at in front of the stage but those who were, certainly, came out delighted with Salto's act. The band released their first album on July 2nd, with the same name.

The Happy Mess, a happy surprise
Surprised by: 1) they're Portuguese and I hadn't heard of them; 2) they play an old rock vibe; and 3) their frontman, Miguel Ribeiro, is a journalist at the TV station SIC Notícias. Nice show.

Capitão Fausto and their instrumental music
They have the experience that Salto were lacking. They put on a great show, full of music instead of songs - that's how they do it. They were the first ones to bring the party to the fest and to make people dance to their most recognised singles. But the crowd migrated to the secondary stage on the second part of the show. Two reasons, I see: they went to see Alabama Shakes and they lost interest in the psychedelic delirium of Capitão Fausto's instrumental music, less likely to please a festival atmosphere.

From Alabama with love
Alabama Shakes turned Palco EDP stage into the main stage for the night. The Southern band had quite a turnout on their first time in Portugal, presenting their debut album Boys & Girls. Brittany Howard is an amazing vocalist and she adds soul to the rock-ish vibe of the band. With such a success I expect them to be back soon.

Bloc Party with no party
I would like to have seen Bloc Party from the 'Banquet' era. And I think the crowd would to, judging by their reaction to the first chords of this hit. Only from that moment the band warmed up, though failing to present an energetic show. The still sound good but something was missing.

Incubus, the veterans
They were criticised by the set list they brought. But for me it was one of the best shows of the night. Not for the set list and not for the show, but by the reaction of the fans piled up in the front rows. Brandon Boyd is an excellent host, a ball of energy. Yes, there was something of a Red Hot Chili Peppers inspiration, inside a complex mix of the band's songs. But that didn't turn out on a band show. (I can only imagine what the band must have said facing such an empty venue.)

1 Jul 2012

Chifre: um par de anos


Tem apenas dois anos e já conta com um reconhecimento difícil de atingir na música nacional. Podíamos estar a falar de várias bandas portuguesas recentes, mas hoje esta descrição serve a história da Chifre. É editora independente, tem já cinco artistas e bandas e muitos projectos para os próximos tempos. Celebrou o segundo aniversário a 28 de Junho, com festa a rigor no Ritz Club.

Quando regressaram a Portugal depois de quase uma década em Manchester, Francisco Santos Silva e Vanda Noronha encontraram um país onde, depois de algum tempo de produtividade escassa, se voltava a fazer boa música. Muitas horas passadas na Fnac a ouvir essa música e Os Quais despertaram-lhes o gosto e a ideia. Havia espaço para um projecto novo, havia bandas para uma editora independente.
Fizeram uma lista com nomes possíveis mas Chifre acabou por sair de uma sugestão espontânea, a lembrar o símbolo do rock. O passo seguinte foi registar o domínio e estava criada a editora, com um investimento inicial único de 14,99 euros (o custo do registo). Daí ao manifesto foi um instante e começaram a chamar artistas.

Na origem da editora estavam ainda Pedro da Rosa (Os Golpes, A Armada) e Joana Maria. Mais tarde, juntaram-se à família Chifre Marta Fonseca Moiteiro e depois Pedro Moreira Dias.

O primeiro objectivo era simples – “vender música e os seus artistas”, recorda Francisco. E é esse o desígnio que ainda hoje caracteriza a Chifre – a editora não lucra mais com a música dos que os artistas que a fazem. É uma espécie de comércio justo, como as bananas ou o café, dizem os fundadores.

Na base da empresa há espaço para outro pilar – a paixão pela música, fundamental para seguir o trabalho que dá esta editora em idade de toddler. O gosto e o trabalho são, aliás, dos substantivos repetidos ao longo da conversa, quase sempre lado a lado. É com eles que Vanda descreve o processo de gravação e lançamento dos primeiros trabalhos. Em Outubro de 2011, foram feitos 2000 CDs, gravados, imprimidos e verificados um a um pelos quatro colaboradores da Chifre.

Não é loucura, mas estratégia profissional. É que assim, ao centrar na editora trabalhos que poderiam ser subcontratados, eliminam-se gastos pelo caminho. E como cada peça produzida pela Chifre é única – dos álbuns ao merchandise – garantem o seu acompanhamento total, da concepção à venda.

David Pires, Ritz Club

Isto não é um negócio
Não têm pressa no fazer; preferem fazer com calma, bem feito. Por isso esperaram um ano desde o registo da empresa (recorde-se que o investimento inicial nem chegou a 15 euros) até ao lançamento oficial numa festa de apresentação no Musicbox, na qual conseguiram angariar fundos para pôr a editora a mexer. Gravaram os três primeiros trabalhos – o EP de David Pires e os álbuns de Diego Armés e Capitão Fausto – e hoje não têm dívidas. Desejaram que este ano trouxesse o mesmo que o anterior – porque a satisfação pessoal do sucesso do projecto é recompensadora – mas mais algum dinheiro. Apesar de ser auto-suficiente, o projecto ainda não gera um ordenado para Vanda e Marta, que se dedicam a tempo inteiro ao projecto. 

“Não temos dívidas mas não temos fortunas pessoais”. Vanda explica que o risco de iniciar este projecto tinha apenas a ver com o tempo e trabalho investidos. “O risco seria muito maior se nós quiséssemos fazer disto um negócio”, acrescenta Pedro. Mas por acreditarem no potencial dos músicos, a aposta estava ganha à partida.

O bom senso dita que esse potencial seja recompensado, acima de tudo. A Chifre acredita que só faz sentido que a música pertença a quem a faz. Assim, os artistas recebem metade dos lucros da venda de cada disco, o que pode chegar a 4,5 euros e contrasta com valores praticados na indústria. Algumas editoras entregam aos artistas apenas 9 cêntimos por cada disco vendido, depois de se atingir o break-even em relação ao custo investido na produção do álbum.

Fazendo também o agenciamento das bandas, não são “capazes de vender concertos que sejam maus”, diz Francisco. Pedro intervém para falar da selecção dos artistas: “há outra premissa que é extremamente importante para nós. Temos que ver as bandas ao vivo e tem de ser um grande concerto ao vivo”.

Diego Armés, Ritz Club

“Temos de ser fãs de todas as nossas bandas. E somos”
O carisma é elemento comum aos artistas. Diego Armés, o vocalista dos Feromona e cavalheiro trovador de Canções para Senhoras nas horas vagas, é mistura de Alfama e whisky, descreve Marta. David Pires é o bateria “inteligente” e “sensível” (nas palavras de Samuel Úria), para Vanda, “muito zen”. “Só uma pessoa como ele podia fazer aquela cover da Telepatia”, remata Pedro. Os TV Rural, banda de culto que se demarca dos outros agenciados pelo seu longo percurso, são, por isso mesmo, piratas, lobos do mar. Para os Capitão Fausto a descrição é rapidamente atirada por Vanda: “uma festa prog com pop no meio e adolescência”. As Anarchicks, punk feminino recém-chegado à Chifre, são as riot girls do catálogo.
Cobiçam Os Quais, Salto, Da Chick e Alex D’Alva Teixeira, mas são firmes em dizer que estes artistas estão bem nas suas editoras.

Apesar dos pontos comuns, os estilos dos artistas da Chifre desencontram-se mas agradam. “Temos de ser fãs de todas as nossas bandas. E somos”, afirma Francisco. Quando há desacordo, o fundador ouve os álbuns das bandas e conclui que o trabalho e as discussões são compensados pela qualidade da música e dos espectáculos.

João Gil e João Salcedo acompanham Diego Armés, Ritz Club

Música para além dos tops
Até agora com artistas a cantar em português, a língua não tem sido barreira, apesar de as Anarchicks virem preencher uma falha reconhecida pela editora na sua oferta. Ainda assim, a Chifre foi contactada por uma locutora de rádio de Nova Iorque a fazer um programa com spotlights em várias cidades, pedindo o envio dos mp3 das músicas para as transmitir numa edição sobre Lisboa.

O mercado português é reduzido mas a limitação maior está noutro entrave que não o seu tamanho. Sendo controlado pela Associação Fonográfica Portuguesa, as editoras independentes não entram nas contagens e tops oficiais nem têm palavra sobre, por exemplo, as medidas anti-pirataria.

Por isso, e porque a Chifre não é de resignações, juntou-se a outras editoras independentes (Meio Fumado, a PAD, Lovers & Lollypops, Groovement, Boom Chicka Boom, Raging Planet) e a agentes (como João Bizarro), para formar a Associação de Músicos, Artistas e Editoras Independentes (AMAEI). Fazer tops próprios e apostar na internacionalização de artistas (para além do Fado) são objectivos de futuro.

Anarchicks, Ritz Club
Ana Moreira, Anarchicks, Ritz Club

Com tanta iniciativa e coragem, a Chifre já mudou a música portuguesa?
A princípio dizem um não redondo que passa a talvez quando vêm a Chifre dentro de um movimento de nova expressão da música portuguesa, ao lado de outras editoras independentes. Se alguma mudança houve, foi pelos artistas, asseguram. Acabam por concordar que terão, pelo menos, uma nota de rodapé no compêndio da música nacional dos anos 2000.

Até ao terceiro aniversário, será um dia de cada vez e alguns projectos a médio prazo. Gravar mais discos e apostar a sério na venda online do catálogo são algumas das ideias para este Verão, que não incluem necessariamente novos artistas mas não excluem quem cativar a editora nos próximos tempos. Entretanto, vão vivendo o sonho com a satisfação de gostar do trabalho que estão a fazer. Francisco resume de forma simples: “há muita gente que pagava pela vida que nós estamos a ter”.

28 Jun 2012

SALTO é de quem ouvir



Os SALTO (fantásticos!) apresentam hoje no Plano B, no Porto, o seu disco de estreia, que sai já a 2 de Julho.

Luís Montenegro e Guilherme Tomé Ribeiro são dois rapazes cheios de talento, que estão a trazer uma coisa diferente e muito boa à música nacional. É uma pop de mistura, que trabalha tecnologias da e na música.

Vi-os no Novos Talentos Fnac e fiquei de boca aberta com o quão bons são. Quem estiver lá em cima, não pode perder o concerto de hoje (começa às 23h) - vai ser, de certeza, espectacular.

Para ajudar, aqueles que se adiantaram conseguiram comprar o CD e levar um bilhete - para esses não há mesmo desculpa para não conhecer os Salto ao vivo.

Podem ir acompanhando os SALTO aqui.

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SALTO are a new Portuguese band. They are Luís Montenegro and Guilherme Tomé Ribeiro, two young guys from Porto, who are bringing something really good and pretty fresh to the national music scene. It's something like a mix between pop and music technology, with good voices and lyrics.

I had to chance to watch them at the festival Novos Talentos Fnac 2012 and it blew my mind how good (and young) they are.

so, everyone in Porto, last call: SALTO are presenting today their debut album - which will be released on July 2nd. Show begins at 11 p.m. Pre-orders of the album gave access to the show, at Plano B.

Be sure to follow them at their Facebook page, because we will hear lots about them in the coming times.

24 Jun 2012

Os novos talentos da música nacional


Foram duas noites cheias de talento. A 21 e 22 de Junho, passaram pelas salas do Cinema São Jorge algumas das bandas que mais têm dado que falar na música portuguesa, numa iniciativa que, felizmente, a Fnac tem repetido nos últimos anos. O Novos Talentos Fnac 2012 teve 215 participantes. Daí saiu uma colectânea em CD com o mesmo nome e um festival com bons concertos.

A organização esteve muito bem - não houve concertos a acontecer ao mesmo tempo nem tempos mortos entre cada actuação. O alinhamento dos palcos encaixou-se muito bem e o Café Concerto animou o espaço de convívio, descanso, comida e bebida. Por outro lado, os concertos foram muito curtos - no palco principal, os intervalos de preparação entre as actuações foram, no geral, mais longos do que os próprios concertos.

No final do festival, pareceu-me óbvio que os alinhamentos teriam funcionado melhor ao contrário - o segundo dia foi mais fraco em termos de público e de espectáculo das actuações, com um conjunto de bandas que teria resultado melhor no primeiro dia. O facto de as bandas do primeiro dia terem actuado à quinta-feira não pareceu demover muitos dos espectadores, mas seria uma festa maior e melhor se tivessem actuado à sexta, a encerrar o festival.

O som e a iluminação da Sala 2 estavam muito maus.

O primeiro dia começou animado pela vitória portuguesa no Europeu e o recinto encheu. No público, muita gente pronta para ver e ouvir boa música.

Memória de Peixe
É o projecto de Miguel Nicolau e Nuno Oliveira. Bons músicos, bom som e um bom conceito de recriação das músicas no palco.
Faixa no disco Novos Talentos Fnac 2012: Estrela Morena 

Black Mamba
Uma voz smooth (de um vocalista com pinta de pirata) e música soul. Os Black Mamba não parecem nada novos talentos; parecem uma banda com anos e anos de experiência, a apresentar ao vivo muito músicas bem trabalhadas e preparadas.
Faixa no disco Novos Talentos Fnac 2012: It ain't you

Capitão Fausto
Estes rapazes tocam que se fartam. Tiveram pouco tempo para tudo o que queriam mostrar. Mesmo assim, passaram pelas músicas mais conhecidas e até algum material novo. Na sala (cheia), toda a gente de pé a dançar.
Faixa no disco Novos Talentos Fnac 2012: Verdade

O dia 2 esteve notoriamente mais vazio e  com um público muito jovem. No cartaz, havia nomes que já queria ver há bastante tempo e algumas boas surpresas.

Salto
Os Salto tocaram às 22h. Cheguei pouco antes e o São Jorge pareceu-me muito vazio, porque estava toda a gente na sala a vê-los. Foi a primeira surpresa da noite - o público de pé e a cantar as músicas.Os  Salto não são uma banda recente? Se são, não pareciam nada. Estiveram à altura do palco que abriram e deixaram-me com imensa vontade de os conhecer melhor.

Lucas Bora Bora
Gostei muito da voz ao vivo e de ver finalmente a imagem do que tenho andado a ouvir tanto na rádio. Música bem disposta, mas podia ter interagido mais com o público.
Faixa no disco Novos Talentos Fnac 2012: Café

Birds Are Indie
Ouvi pouco mas gostei da actuação. No fim, a banda a cantar no meio do público e a distribuir bolachas feitas por uma mãe orgulhosa. Fofinhos.
Faixa no disco Novos Talentos Fnac 2012: I Will Say It In Your Face

Best Youth
Queira muito ver Best Youth e não devia ser a única, dada a afluência ao concerto deles, no dia em que celebraram um ano da edição do EP Winter Lies. Não desiludiram Gostei muito do estilo.

We Trust
Foi um grande concerto - a última surpresa, se bem que já estava à espera que assim fosse. Acabou por ser um fim de noite e de festival morno, mas o André Tentugal esforçou-se muito. Puxou pelas pessoas, ensinou-lhes as letras das músicas e pediu que cantassem com ele. Convidou Best Youth para o palco e acabou com as canções mais conhecidas.


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Fnac has been helding a project to promote the Portuguese talents in several fields. The music part of the project had 215 applications this year. From that, Fnac edited an album with 3 CDs full of songs by Portuguese bands who had their break last year and put up a festival, on 21st and 22nd of June.

Instead of telling you about the great shows I watched at the Novos Talentos Fnac 2012, I'll leave you the songs so you guys can listen to them and get to know these amazing Portuguese new bands.