27 Sep 2013

Shazamed! #1


Here are some tunes I've been shazaming lately! These are songs I haven't listened to in a while and some I want to keep in my current playlist.

'Heavy Feet' by Local Natives

'Hold On' by Sons Of The East


'Luscious Life' by Patrick Watson


'First Day Of My Life' by Bright Eyes

15 Sep 2013

Festas do Mar 2013: Tiago Bettencourt, Expensive Soul e Xutos e Pontapés


Xutos e Pontapés, o inevitável nome para o inevitável fim das Festas do Mar 2013. Foram dez dias de concertos, que, nas últimas noites, tiveram ainda Tiago Bettencourt e Expensive Soul.

Muito especial
Tiago Bettencourt é um veterano. Prova-o o acústico que acaba de lançar em celebração dos dez anos de carreira. Prova-o também a força com que agarrou o público de Cascais, no seu jeito calmo e intimista, com canções que são poemas musicados e autênticas baladas de peito aberto.

'Só Nós Dois', 'Parece que o Destino nos Quebrou' e 'Largar o que Há em Vão' são canções destas. E foram as primeiras a soar na Baía, abrindo um alinhamento onde não faltaram os êxitos comerciais, como 'Canção Simples', 'O Jogo', 'Laços'. Lá para o final, viria 'Carta'.

Não só as músicas mas também o local fizeram deste um concerto especial para Tiago Bettencourt, como o próprio músico fez questão de salientar por ter vivido em Cascais. Igualmente especial foi a participação de Inês Castel-Branco em 'Tens Que Largar A Mão' e 'Se Cuidas de Mim'. Amiga de Tiago Bettencourt, a actriz ajudou a protagonizar alguns dos momentos mais bonitos das Festas do Mar, deste ano.

Mas este não é apenas o Tiago Bettencourt que nos habitou aos temas tristes e melancólicos. Do piano para a guitarra, o músico dá um registo mais folk ao concerto, descontraído e divertido, e apresenta mesmo versões muito próprias de 'Pó de Arroz' e 'Canção de Engate'. A abrir 'Só Mais uma Volta' ainda vai buscar Lou Reed e um dos refrões mais conhecidos de sempre, "take a walk on the wild side".

'Temporal' e 'Eu Esperei' fecham o concerto que, apesar de longo, passou bastante depressa. E soube bem voltar a ouvir Tiago Bettencourt, que vai muito para além da faceta mainstream que as rádios imprimem às suas músicas.

Bounce, bounce!
Lembrei-me da primeira vez que vi Expensive Soul ao vivo. Foi no Pavilhão dos Lombos, em Carcavelos, e já passaram quase dez anos. A dupla que subiu, este ano, ao palco das Festas do Mar é sem dúvida muito diferente.

Músicos mais maduros, New Max e Demo conquistaram um lugar no panorama português. Entre os discos que lançam enquanto dupla, vão sendo chamados por outros músicos para ajudar na produção dos seus trabalhos. Aprenderam a dar espectáculos e espectáculo, suportados por uma fama que ganharam recentemente e que esgotou completamente a Baía. Suportados também por uma incansável Jaguar Band, que enche de soul - e boa música - as suas rimas.

E aprenderam a fazer-se valer do estatuto de vedetas a que parecem ter ascendido, dando-se ao luxo de interromper músicas quando o público não acompanha na medida desejada. Direito legítimo, atenção, mas não perante uma das maiores enchentes que as Festas do Mar viram este ano.

Ninguém levou a mal e as pessoas até começaram a responder (ainda) mais quando, a meio caminho do fim, se pede à '1ª fila' que salte, "bounce, bounce!". Antes e depois, saíram os maiores sucessos da banda de Leça da Palmeira: '13 Mulheres', 'O Amor é Mágico', 'Falas Disso', 'Brilho' (de que já nem nos lembrávamos) e, a fechar, 'Eu Não Sei'. Espaço ainda para 'Machadinha', tema gravado para a Missão Sorriso de 2010. Um concerto eficiente, que se manteve dentro dos limites.

'Para sempre'
Português que se preze não perde uma oportunidade de ver Xutos e Pontapés ao vivo. A banda que já leva 34 anos continua a mover multidões. E é por isso que, da primeira fila, se continuam a estender braços sucessivos com lenços vermelhos nos pulsos. Braços de pais, mães e filhos. Até de avós. A banda atravessa gerações mas continua a despertar a mesma adesão. A diferença é que, agora, as promessas "Xutos Sempre" se escrevem em tablets e não apenas em cartazes. (Outro sinal dos tempos: 'Privacidade', música nova, tem mão do DJ Cruzfader.)

Do palco, a mesma energia e uma felicidade palpável de quem está ao lado de grandes amigos. Zé Pedro, Kalú, Tim, João Cabeleira e Gui reflectiram isso mesmo nas mais de duas horas de concerto que levaram ao sítio que tão bem conhecem, a Baía de Cascais. Em repetidos momentos, o grupo recuou, alinhando junto à bateria de Kalú e aí desenrolou hinos que já são demasiados para enumerar.

E, mesmo assim, a banda continua a produzir novo material, que teve destaque nesta noite. Fala-se, por exemplo, de 'Cordas & Correntes', 'Independência' e 'Da Nação'. Mantém-se o tom interventivo ou não fossem estes os Xutos e Pontapés e, assim, não poderia faltar o desafio de Kalú (já espreitaram o seu projecto a solo?): "Coelhinho, se eu fosse como tu, pegava na Troika e enfiava-a no..."

Esta é uma das melhores fases da vida dos Xutos - renovada, viva, feliz. Prova-o a recusa de Zé Pedro em deixar o palco, ao fim do segundo encore. O público também não admite ir embora sem ouvir 'Maria' e, perante o novo regresso da banda, volta a prometer-lhe fidelidade eterna. 'Para Sempre'. (A música que ficou a faltar...)

14 Sep 2013

Festas do Mar 2013: Dengaz, The Black Mamba e Coldfinger


Dengaz, The Black Mamba e Coldfinger - três nomes que passaram pela Baía de Cascais este Verão, em três concertos de abertura que podiam ter sido cabeças de cartaz.

AHYA
Dengaz entregou, ao sexto dia, a primeira parte com mais sucesso das Festas do Mar 2013. "Quem é que toca a seguir?", ouve-se a caminho, pergunta repetida por um público muito jovem, a quem o nome João Gil (e Amigos) pouco diz.

É o ritmo de hip hop do músico de Cascais que cativa os mais novos. Vai do rap ao reggae sem pudores e agrada com um pouco de soul à mistura. Depois de temas como 'Eu Consigo' e 'Ela Só Quer', em que Dengaz toca acompanhado por uma banda animada e cheia de pinta, surgem as músicas 'Obrigado' e 'Encontrei'. Para estes dois hits, que o público acompanha sem falhar uma palavra, surge em palco Agir, grande companheiro musical de Dengaz.

Ficou a falar Richie Campbell, para fechar o concerto com 'From the Heart' da AHYA Tour. O refrão "young, wild and free" (de Snoop Dog com Wiz Khalifa e Bruno Mars) é repetido por uma geração que faz destas músicas autênticos hinos, perto do fim. E já não se ouvia a Baía a entoar assim uns versos desde Da Weasel, 2008.

"Burn this city"
The Black Mamba fizeram o warm up da noite seguinte. Perante um público pouco efusivo, o vocalista e guitarrista Tatanka teve de puxar pela voz para agarrar a massa. A festa arranca em tom de homenagem a James Brown e aos sons da sua época, que são influência evidente da banda. É o concerto com mais soul desta edição das festas e isso vê-se em cada membro da banda, na  forma como sente a música.

Passa-se no inglês ao português com naturalidade (de 'I'm Not Late' para 'Canção de Mim Mesmo') e chega-se a 'It Ain't You', uma das mais conhecidas músicas do grupo, que consegue finalmente arrancar um coro ao público. "We'll always love you" é o que promete um público para quem os The Black Mamba eram ainda desconhecidos.

Mais tarde, "we're gonna burn this city" é ensinado aos espectadores, que repetem o verso por entre um saxofone poderoso surpreendente.

Para valentes
Menos sorte tiveram os Coldfinger, que tocaram para os poucos resistentes que não deram tréguas ao vento. Foi um concerto "só para valentes", como afirmou Margarida Pinto, vocalista da banda e metade do duo formado com Miguel Cardona. Uma banda que, na realidade, tem um percurso suficiente para merecer honras de cabeça de cartaz e não de primeira parte.

De 'You Should Fall' a 'Alice Barracuda', passando por 'Supafacial', 'Easy M' e 'Dragonfly', os Coldfinger tocaram alguns dos seus maiores temas, numa altura em que andam a  mostrar The Seconds, álbum editado em Abril.


6 Sep 2013

80s voltam hoje em Cascais


Começa hoje a segunda edição do ERP Remember, festival que recupera o glamour dos anos 1980 e as músicas que marcaram a década e se mantiveram no imaginário colectivo como êxitos até hoje.

As portas do recinto abrem às 20h e o primeiro concerto acontece às 21h. Hoje, a abertura está a cargo de José Cid & Big Band e segue com Level 42 (às 22h), adicionados ao cartaz depois do cancelamento de Orchestral Manoeuvres in the Dark. Às 23h30, sobre ao palco Roger Hodgson, a voz dos Supertramp.

No Sábado, os horários repetem-se. A primeira actuação é de Opus, seguindo-se os portugueses GNR. O encerramento do festival será feito pelos The Waterboys mas a noite continua com a Festa M80.

Os bilhetes para cada dia do ERP Remember 2013, que acontece a partir de hoje no Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, custam 30 euros. O passe geral custa 50 euros. 

Fica uma das músicas mais aguardadas na edição deste ano do festival.
--

For the second time, ERP Remember brings to Cascais the glamour of the 80s. Artists such as Roger Hodgson (Supertramp) and The Waterboys will be performing at the festival, which takes place at Hipódromo Manuel Possolo, this Friday and Saturday.

Tickets cost 30 euros a day or 50 euros for both days.

Here is one of the songs we are looking forward to listen to, 'The Whole of the Moon' by The Waterboys.
 

Festas do Mar 2013: Os Capitães da Areia, Resistência e António Zambujo

©UrbanBlues

A 19 e 20 de Agosto, três nomes interessantes passaram pelo palco das Festas do Mar 2013. O interesse deveu-se a razões distintas, mas foi invariável na garantia de duas noites com muito público.

Um Verão pouco azul
Os Capitães da Areia foram banda escolhida a dedo para abrir o concerto de Resistência. Perdidos num imaginário dos anos 1980, os quatro rapazes que já levam dois trabalhos editados animaram q.b. a Baía. Não por falta de festa, mas por terem à frente um público pouco entusiasta da sua pop colorida e algo estranha. Certo é que o vento não ajudou a instalar-se o Verão Azul d'Os Capitães da Areia, que se apresentam como «um conjunto musical de Portugal e do Reino das Berlengas».

Mesmo assim, a banda arriscou no ousado verso "as raparigas de Cascais andam tão longe dos demais", retirado de 'Raparigas da Minha Idade'.

Finalmente, e ainda, Resistência
O público estava, sim, ansioso pelos cabeças de cartaz da noite. Os Resistência estrearam-se em Cascais e, aos primeiros acordes, esticaram-se braços no ar, sentiram-se saudades nas vozes. O espírito da Resistência é mantido vivo pelas centenas, senão milhares, de fãs que recordaram a banda e reviveram memórias de há 20 anos. «Muita coisa mudou, outras nem por isso», desafiou Miguel Ângelo.

'Nasce Selvagem' não podia agraciar mais o público, depois de 'Mano a Mano' a apresentar os instrumentos. Em palco, eram onze. (Na audiência, milhares.) Miguel Ângelo e Olavo Bilac comandaram as vozes do super-grupo reunido em palco. Juntaram-se Tim, Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha, Alexandre Frazão, Mário Delgado, Duda, José Salgueiro, Fernando Júdice e Pedro Jóia.

O público foi chamado a testemunhar a história - que continua a escrever-se. E escreveu-se com êxitos como 'No Meu Quarto', 'Finisterra', 'Esta Cidade', 'Liberdade'. Evocou-se 'Timor' e entoou-se 'Perigo'. Passaram-se em revista alguns temas dos grupos originais dos membros do projecto - afinal, foi assim que a Resistência surgiu, como se fez saber num documentário que a banda fez transmitir antes do início do espectáculo.

Os Delfins haviam sido convidados para tocar numa campanha eleitoral mas não havia verbas para suportar toda a banda. Ficou então Miguel Ângelo, ao lado de colegas do meio. O projecto ganhou dimensão e alguns originais, para além de uma considerável carga social que o transporta para a categoria de música de intervenção.

Ao longo de mais de duas horas, os músicos - notoriamente satisfeitos pela adesão do público - ofereceram ainda 'Fim', 'Amanhã é Sempre Longe Demais', 'Marcha dos Desalinhados', 'Lugar ao Sol' e 'Amália na Vox de Nós'.

Para o final, ficaram guardados hinos como 'Nunca Mais', 'Circo de Feras', 'Não Sou o Único' e, a fechar, 'Prisão em Si'.

"Oh Toninho"
Ainda num registo a agradar ao público mais adulto, a actuação principal da noite seguinte foi a de António Zambujo. O músico que recolocou o fado das escolhas comerciais de muitos ouvintes entrou em palco com uma exclamação de surpresa. O concerto em Cascais bateu o recorde de assistência dos espectáculos que tem vindo a fazer.

'Algo Estranho Acontece' é a segunda música no alinhamento (depois de 'Casa Fechada') e uma das preferidas dos cibernautas apaixonados, que fazem chegar a António Zambujo muitas mensagens sobre as suas histórias de amor que têm nesta música a banda sonora.

Entre músicas, o fadista vai contando histórias semelhantes a esta e diverte o público, muito participativo. A interacção agrada especialmente com as modas alentejanas que chegam a meio do concerto (e do público se ouve um carinhoso "oh Toninho"). Ainda assim, este não é um concerto de fado, mas um espectáculo que incorpora até algum Blues e Jazz.

Já no encore, António Zambujo chama ao público Luísa Sobral para partilharem 'Inês'. Segue-se 'Amor de mel, amor de fel' e fica por cantar 'Pica do 7', apesar dos pedidos do público.

 

5 Sep 2013

Festas do Mar 2013: Craig David e D.A.M.A.

©UrbanBlues

As Festas do Mar 2013, que aconteceram entre 16 e 25 de Agosto, seguiram a tradição inaugurada há já algumas edições e apresentaram, na primeira de dez noites de concertos, um nome internacional.

A nostalgia
Craig David chamou à Baía de Cascais mais espectadores do que se poderia imaginar, pensando num artista pop que viveu o auge da carreira há cerca de dez anos.

Foi precisamente com temas desta época que o músico britânico abriu a noite, depois de subir ao palco Mia Rose. 'What's Your Flava' arranca a primeira reacção do público, que dança com vontade de sacudir o vento ou de se render à nostalgia, a mesma que levou Cascais, em 2012, a responder em peso ao concerto de Ronan Keating.

'Hidden Agenda', 'Spanish', 'Walking Away' e 'Rise and Fall' surgem quase de seguida e acentuam o tom de revivalismo do espectáculo, apenas quebrado com um DJ set com direito até a cover de 'Empire State of Mind'. É um concerto de hits até ao final, que culmina com 'Fill Me In'.

A euforia
Na segunda noite das Festas do Mar, o aquecimento ficou a cargo dos D.A.M.A. Banda muito jovem, tem como maior êxito, até agora, uma versão de 'Popless' dos GNR, tocada no início e no encerramento do concerto. Com um repertório ainda à procura de identidade, os D.A.M.A. (grupo de Cascais, como todos os artistas que actuaram na primeira parte das Festas do Mar 2013) já alcançaram, no entanto, uma base sólida de seguidores.

A actuação no MEO Sudoeste, deste Verão, terá dado um empurrão aos D.A.M.A. para chegarem perto do seu público-alvo, essencialmente concentrado entre os 14 e 18 anos. A audiência, aparentemente composta por fãs deste híbrido de hip hop feito de pólos e ténis da moda, aderiu ao concerto e vibrou com uma versão sobre o sucesso 'Jar of Hearts'. Será a melhor forma de definir os D.A.M.A.: hip hop leve sobre pop comercial, a fazer lembrar os Ciclo Preparatório.